A minha poesia tem um pouco de exagero
da maquiagem borrada da noite passada.
De um quê que vem de não sei onde.
Um pouco dele
Um muito de mim ao quadrado inverso da pessoa.
Um sussurro rouco e mal empostado.
A minha poesia tem as marcas dos meus trintas e tantos anos
De encontros e despedidas
De personagens que se perderam no caminho
Da Sininho namorada do Peter
Que reaparece na forma da filha, da mãe, da amante.
Ela vem na primeira pessoa do singular
E interrompe tudo
Desculpe se te fiz esperar
Não fui eu, foi ela
Essa maldita.
